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Primeiras lições de um empreendedor

12 de fev.
2 min de leitura

Atualizado: 30 de mai.

O que acontece quando a gente troca a vida corporativa pela aventura empreendedora? Nossa, dá para escrever um livro. Aliás, minha amiga Claudia Giudice fez isso (A vida sem crachá).



Eu sou mais modesto: preparei aqui uma pequena lista do que aprendi desde que, um ano depois de deixar o cargo de diretor na Abril, abri em 2002 a Scribas Produção de Conteúdo e me tornei um... empreendedor!


Spoiler: fazer negócios não é dos primeiros tópicos.


  1. Adeus, sobrenome!

Entendi que não tinha mais aquela coisinha mágica no meu nome que abria portas e fazia secretárias passarem minhas ligações automaticamente para os poderosos das empresas: “Aqui é o Jorge Tarquini, da Abril”. Meu nome sem o pequeno “apêndice” sofria marcação cerrada tipo zagueiro linha dura – coisa de um Beckenbauer. Tive de achar um jeito de cuidar da minha autoestima.


  1. Como se apresentar?

Uma das coisas mais deprimentes que um empreendedor pode fazer é se escorar no antigo cargo ou na antiga empresa. Descobri rapidamente que me apresentar como “ex” era gol contra. Ainda mais desde que surgiu um certo reality show entre nós. Quem faz isso é “ex-BBB”. Tive de achar um jeito de cuidar da minha autoestima.


  1. Se não tem tu, vai tu mesmo

Tive de aprender rapidinho a jogar nas 11, apitar o jogo e ser o gandula. Se antes bastava chamar alguém para resolver qualquer probleminha do dia a dia, tipo o computador que não liga, o ramal que não funciona, o ar-condicionado que está muito frio ou quente demais, virei o “faz tudo”. Aprendi a fazer café, servir café e lavar as xícaras – e guardá-las. E a dar uma varrida no escritório, atender o telefone, prospectar, pagar as contas e os salários, negociar valores, espanar, fechar negócios, emitir NF, resolver encrencas de informática, de telefonia, de internet. Tive de achar um jeito de cuidar da minha autoestima.


  1. Trocando salário por receita

Mesmo com um mês mais ou menos ou ruim, no final eu tinha meu salário depositado bonitinho na conta. O drama das avaliações, que parecia o grande bicho-papão da minha existência quando era CLT, se mostrou um boneco de trem-fantasma de parque mambembe perto dos meses em que e não sabia como fechar as contas da minha empresa. Salários a pagar, impostos a recolher e, no bottom line, um abismo sem fim. Pró-labore? Quem sabe no mês que vem. Bora eu tirar mais um pouco da reserva, que estava mais baixa que a Cantareira. Tive de achar um jeito de cuidar da minha autoestima. E dos boletos com meu nome neles. Tive de achar um jeito de cuidar da minha autoestima (e da minha conta bancária).


Aprender rapidinho


Em pouco tempo, aprendi a fazer provisão, a concentrar gastos no que era essencial (e cortar o supérfluo sem dó e nem piedade), e a admitir que precisava de um sócio (sócia, no caso) que não fosse da minha área, mas de outra que me complementasse. Depois de 22 anos, minha autoestima nunca esteve melhor.


 
 
 

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